segunda-feira, 30 de novembro de 2009

/ideologia

Sempre foi muito confuso pra mim estabelecer um ponto de partida e chegada. Fácil compreender esta confusão quando se pensa com uma cabeça igual a minha. Não dá tempo de esperar o fim. São tantas terras pra encontrar por aí que o processo todo me limita de outras coisas que me chamam, me procuram e clamam pela minha solução.

A palavra que está me definindo é "desconstrução". Enquanto Chico chamava a "Contrução" eu chamo a "Desconstrução". Enquanto Cazuza observava a tudo de cima do muro, eu vejo tudo da mesa do bar. E Thom musicou lindamente seu desencontro o que sempre repeti a vida inteira: "(...) What the hell am I doing here? I don't belong here(...)" Buk suportava tudo isso nas calçadas mundanas e sujas amando a literatura e entendendo a filosofia do imperfeito. Recorro aos meus amores pra explicar meus próprios amores.

Estou descontruindo minhas "mini-certezas" porque as perdi totalmente. Deconstruir todo meu conceito de sociedade e ser humano. Mas a alma continua com a mesma vibração louca e desesperada.

Uma necessidade de matar um conceito me afastando de tudo. Os dias estão contados, o fim próximo e a morte é certa!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

me repetindo.

O tempo e espaço da realidade se conflitam com o meu espaço, o meu tempo. Saio pela rua descompassada, em busca de nada e se quero dizer a eles que descobri algo novo que pode mudar o mundo, não me ouvem, não me enxergam. Estou explodindo, preciso chorar e borro os meus olhos em sal de lágrimas e preto da maquiagem. Me descontrolo e chuto o ar das ruas desertas, mas eles me acham. Me fotografam e noticiam minha fúria. Um texto superficial com palavras que condenam me pinta de triste e animalesca. Louca sei que sou. Mas como triste? Eu estou feliz. Estava apenas sendo eu, chorando a fúria e os excessos de uma insatisfação pessoal que não compreendo, mas que me mantém viva. Minha noção de felicidade entrelaçada com o desejo de enviar um "foda-se" pro mundo. Ainda há alguma pessoa dentro de mim que tenta se adaptar e se importa com tudo isso que é só bobagem. Estas vozes estão me deixando surda. Não quero mais viver isso que está aqui, nem fazer parte disso. Não quero estar entre eles e fingir ser igual ou me declarar um câncer. Será que o mundo se dá conta do mal que me faz? Calem estas vozes que estão me enlouquecendo! Quero o silêncio e só o ruído desta canção. Que o meu barulho possa ser mais forte que as ameaças deles. Diminuir o ritmo e ser só do tempo e espaço que minha loucura atinja. Preciso fechar os olhos na canção que está tocando, mergulhar em seus acordes e notas e sentir. Só sentir. Sem precisar definir o sentimento. Sem fingir uma vida desnecessária. Em nome de que eu deveria sacrificar toda esta imensidão que tenho dentro de mim, que não adiantaria explicar a quem não sente e a explicação quebraria toda a nobreza do que sei que sou e pra sempre? Me agrada que nada disso tem valor porque poderia corromper a honestidade das minhas paixões. Se eles não quisessem também destruir o balão que soltei no ar pra conhecer o céu, eu não estaria tão entediada e tensa com toda esta droga. Danço num ritmo por não ser pornográfica. Talvez tenha uma pitada de perversão que a alma escandaliza nos olhos ao interpretar; mas eles julgam estupidamente. Um moralismo deliberado que define minha intensidade como pornografia. Sou uma vadia por contar minhas filosofias escolhidas por embriaguez. Ao menos é um rótulo de culpado e na desonestidade me sinto mais em paz que a santificação. Vou desmenti-los em um pronunciamento: na verdade, me prostituo a cada vez que me contenho e me calo pra evitar desprazeres e o caos. Meu maior crime, pois, como negar o caos e virar as costas ao amor pelo imperfeito se sou o próprio caos e amo o que não é belo? Eles continuam falando alto e sussurrando mantras que me desconcentram e interrompem. Lhes digo: com vocês aprendo a fingir, percebem?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

/referências

Quantos pecados me resta pra cometer? Quero todos, ao mesmo tempo, agora! Não importa, nunca importou se eu não sou o que as pessoas querem. Aceito a apatia, mas se não me ouvem até o fim sequer, como querem uma verdade sobre mim que são incapazes de ver? Só o que incomoda um pouquinho é que julguem apenas por prazer. O que fica da experiência do julgamento que não o sentimentalismo bobo da inveja?

Me subestimo, eu sei. Tanto quanto me superestimo. Ninguém é capaz de perceber quando sou o avesso de mim, quando sou a própria dúvida, a indignação. Se eu pudesse me esforçar pra ser cada vez menos o que o mundo espera, juro pelo rock que me esforçaria! A questão é: sou uma pessoa que não sabe não ser uma pessoa e acho que todo mundo está phd em não ser. A questão é: não consigo não obedecer aos meus instintos, paixões, amores inúteis, esperanças contidas. A questão é: eu já existo, e não faria da minha existência uma homenagem aos desafetos dos outros. Existir é um tempo muito curto, sabe? Existir passa tão rápido, é tão frágil, complexo, e ao mesmo tempo, duvidoso. Existir é passageiro. Uma distância. Quase um caminho sem volta que não vai na velocidade que desejamos, nem segue a rota planejada. Existir é limitado que de tão pequeno se faz grande. Exitir compensa, pensar sobre isso, não.

A resposta pra pergunta: "quem você é?" sempre foi extensa demais pra que as pessoas pudessem suportar. A resposta sempre foi: "eu sou!" A simplicidade que se esconde nesta complexa humildade de ser já não serve pro mundo.

Qualquer pessoa pode me irritar, basta simplesmente falar alguma bobagem sobre algum amor que eu tenha guardado no íntimo. Qualquer um pode me conquistar, basta ser sincero e desejar profundo e ser capaz de sacudir o mundo. Sou o extremo, o contraditório, o inverso, o caos, o intenso, o que quando chora molha toda a face sem mover qualquer músculo. Entende? A lágrima solitária num rosto aparentemente sóbrio. A ordem aparente que de tão caótica é completamente desordenada. Uma lágrima apenas para todo universo de mundo bagunçado que se apodera de mim, e o rosto expressando apenas a passagem de um momento.

Não contenho o que habita em mim de tão imenso que me parece invadir a alma. Quando choro, quando escrevo, não é por achar que isso seja arte. Escrever, pra mim, não passa de um transbordar de sentimentos que não cabem mais em mim. Chorar, pra mim, não passa de um transbordar de chuva que tempestiva aqui dentro. Não é preciso entender se fico pelos cantos escrevendo ou chorando. Não é preciso entender estes instantes de recolhimento e quietude em que estou mergulhada no meu pranto. Minha lágrimas e as palavras me libertam na hora, no exato minuto em que coloco-me pra fora, e assim eu fico leve.

- Tenho gavetas silenciosas em meu peito que parem universos quando estou tempestade.

domingo, 22 de novembro de 2009

summer's gone

Não me faça chorar se não pode suportar minhas lágrimas. Seu senso de sinceridade é engraçado e não quer chegar até o fim. Você só suporta o que pode ser tocado pela sua segura satisfação pessoal. Pare de fingir aceitar meus infernos e querer curar dores que jamais poderia. Invente uma canção de notas falsas, mas não me peça pra não dançar. A sua responsabilidade em divulgá-la ao mundo deve considerar que assim acaba com vidas que não são inteiras. As crianças continuam brincando nas calçadas, mas os gritos eu não ouço mais. Não tape seus sentidos, deixe-as falar sobre seu passado que te envergonha. Eu posso suportar. Eu posso suportar qualquer coisa que você deixar. Minha fraqueza está no ritmo desta canção que você oculta. Não afaste de mim o que é belo e você julga me destruir. Não afaste de mim o mundo que eu sei tocar. Não afaste de mim as dores que me atingem a alma. Não afaste de mim o que ainda me dá alento de existir e poder partilhar deste misterioso som sem passos, que vai pra lugar nenhum. Não afaste de mim as palavras e sua face encardida. Não afaste de mim o tapete sujo. Não, eu não quero pisar. Guardar na minha coleção de coisas rejeitadas, talvez. Quero correr sobre estes campos verdes até que eles sequem e só reste a morte. Quero sentir o que sobrou depois que tudo for e eu ficar eternamente só. Porque esta parte de mim que passou pela estrada pedindo carona não deve durar. Um beijo delicado me assusta. A paixão tá escondida, só te basta captar. O amor... o amor está abandonado pelo tempo e escravizado pelos vícios. Vítima de uma falsa idéia de cumplicidade. Pinte as ruas sem usar cores porque o mundo não merece a beleza mentirosa da felicidade inventada que envenena os que preferem somente caminhar na areia molhada visitada pelas águas do mar. A traição está em todos os vestígios do que parece real e mostra-se um sonho - seja por falta, seja por excesso. Queime todas as provas de que você existiu se isso te envergonha. Nunca mais nasça outra vez se isso te deprime. Entenda apenas que o muro que nos cerca te mata cada vez mais do que é e divide a palavra secreta com o silêncio secreto que você insiste em dizer. A palavra amarga, experimente: solidão, sente?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

e se eu não aceitar seu cigarro?

O mundo podia ser apenas uma constante trilha sonora. Eu me adaptaria mais facilmente ao meio se tivesse empatia com ao menos uma "mera bobagem" como a música fazendo com que a tragédia pareça menos caótica. Os fones de ouvido dá esta falsa idéia de unidade entre nós e uma canção, né? Mas veja bem, eu peço um pouco mais. Só acho que você não iria entender. É isso. Sempre digo que acho que as pessoas não vão entender o que eu quero, espero, digo e bla bla bla. Nem em sonho estou subestimando a sua capacidade "leitora" de entendimento. Aliás, a todo momento eu questiono a capacidade de tudo, mas não é o caso. Na verdade, tem tanto lixo jogado por aqui, e às vezes um lixo que eu gosto, sabe? A minha alma pervertida e suja é atraída por este "não". Eu gosto do pouco, da beleza do que é "feio", do incompreendido, do drama, do palavrão, do nada. Eu gosto dos infiéis, dos desonestos, do ódio, de tudo que é ruim, porque estão de cara limpa e eu não preciso me preocupar com eles. Acho um saco esta noção de educação, amor ao próximo, um mundo lindo e limpo para todos viverem felizes para sempre. Quando é que a prioridade vai deixar de ser um modelo bobo e utópico de felicidade e passar a ser simplesmente o bem-estar? Quando é que vão parar de relacionar falta de religião, solidão e escolhas "diferentes" da maioria uma aberração? Quando é que o mundo vai ser apenas um lugar onde várias pessoas de diversas personalidades habitam? Ainda acho que esta minha mania de questionar o que não deveria me importar ainda me deixará absurdamente mais deprimida do que deixa. Continuo querendo uma trilha pra vida real, ou uma vida real completamente oposta a esta que temos. Continuo querendo tudo que não se pode querer. E daí? Foda-se o comum!

sábado, 14 de novembro de 2009

das ressacas de uma noite sem álcool

Adiantaria enumerar uma série de coisas pra serem decoradas sobre mim? Nem eu me aguento quando fico assim displicente. Mas se engana quando acha que em meu coração está apenas o que pode ser suportado por ele. Você insiste, mas de que adianta eu me traduzir e transportar pra uma linguagem menos complicada? O que eu diria em uma questão em que não houvesse resposta? Ultimamente tenho estado com preguiça de ter opinião sobre alguma coisa, mas incondicionalmente, eu sou inteira o que quero ser pela metade. Uma intensidade filhadaputa sempre me consome, sempre! Não daria pra entender, compreende? Não é uma questão didática. Quem não enxerga o que eu vejo, quem não ouve as músicas que eu ouço, não vê os filmes que eu vejo, não ouve meus sussurros de medo e coragem na hora da dúvida, quem não me desperta não sabe exatamente nada sobre mim. Não há nada mais excitante e transformador que perceber a indiferença que faço do que significo para aquilo que não me tem significado, pouco tem ou que tem muito e eu não me importo com o acaso disso. Continuo insana e querendo a simplicidade de tudo que é complicado por ser simples demais. Continuo atribuindo minha felicidade ao caos da paz que eu não sinto, mas idealizo. Continuo persistindo na minha fé nas coisas que projeto como únicas e amo incondicionalmente. Continuo não usando o "verificar ortografia" porque nunca me lembro que há esta possibilidade numa vida que não é de toda real - é por isso que meus erros sempre estão à mostra. Continuo perdida, me equivocando, apaixonadamente fiel a mim mesma sem culpa alguma. Se por um lado há uma auto-destrutiva força que me leva, há uma pessoa de alma extremamente egoísta que não sabe se contrariar. Sinto saudades do que fui, do que senti, do que vivi e isso foi só há um minuto. Mas tenho um defeito do caralho de não aceitar que eu não posso mudar nada. E então, me isolo. Porque é este meu último caminho: pertencer a lugar nenhum por não saber de onde eu vim. A esperança está naquela luz nascendo ali por aquele caminho que sigo em segredo. A esperança de que esta luz me conduz pra todo peso e leveza que necessito. Quero um pouco e mínimo que o mundo não consegue me dar por ser demais. Quero uma tão pequena semente de doação do que está no meu exterior e silenciar nesta vida que eu deixarei pra trás sem me lembrar que um dia ela foi 'forever and ever'.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

/ironic

Talvez eu ache que mereça sem precisar pedir. Talvez eu ache que meu rosto fale mais do que qualquer palavra que eu diga. De certa forma, eu sou uma palavra. Destas indecifráveis. Destas que não se sabe se são algo positivo ou negativo, nem em que contexto usar. Destas palavras que nos seduzimos, mas passamos a maior parte do tempo tentando evitar. Eu sou uma palavra solta no mundo que não cabe em cultura alguma por não expressar a língua de ninguém. Uma palavra que, de tão sem limites, acaba sendo limitada. Ainda me machuco com a superficialidade do todo e da facilidade que o mundo tem de afastar suas almas daquilo que diz amar. A distância não tão física, nem de tempo e espaço... mas a distância de bolhinhas de alma. Sempre preferi ficar muda a gritar, mas escolho um canto do quarto, finjo ser surda, umedeço os lábios e berro como se uma música saísse da minha garganta a cada segundo. Será que você ouve o eco que conduz minha essência espalhado por meus gritos fazendo barulho intenso em seus ouvidos?