quarta-feira, 4 de novembro de 2009

/ironic

Talvez eu ache que mereça sem precisar pedir. Talvez eu ache que meu rosto fale mais do que qualquer palavra que eu diga. De certa forma, eu sou uma palavra. Destas indecifráveis. Destas que não se sabe se são algo positivo ou negativo, nem em que contexto usar. Destas palavras que nos seduzimos, mas passamos a maior parte do tempo tentando evitar. Eu sou uma palavra solta no mundo que não cabe em cultura alguma por não expressar a língua de ninguém. Uma palavra que, de tão sem limites, acaba sendo limitada. Ainda me machuco com a superficialidade do todo e da facilidade que o mundo tem de afastar suas almas daquilo que diz amar. A distância não tão física, nem de tempo e espaço... mas a distância de bolhinhas de alma. Sempre preferi ficar muda a gritar, mas escolho um canto do quarto, finjo ser surda, umedeço os lábios e berro como se uma música saísse da minha garganta a cada segundo. Será que você ouve o eco que conduz minha essência espalhado por meus gritos fazendo barulho intenso em seus ouvidos?

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