bukowski, protége-moi, pobre e livre. preciso tatuar na pele as três coisas que definiram, de uma forma abrangente, o que sou, por que sou, quem sou, pra que sou. preciso tatuar na pele e sentir doer de olhos fechados o trevo de três folhas que me ergueu, que me manteve. preciso tatuar pra nunca mais esquecer. e vou. vou me marcar, sem dissimular, de tudo aquilo que amo com pulso e coração. marcar a ferro minha identidade, beijar a minha pele com todo meu endereço guardado nela pra sempre. tenho esperado, impacientemente, que alguma sujeira que não sei explicar, se esvaia do meu corpo. tenho esperado este inferno íntimo passar. esperado que a tatuagem seja uma espécie de redenção, de novos tempos, novos demônios, novo tudo. não é o caos que me cansa. me cansa é este caos específico e persistente, que não me deixa viver outros infernos. um velho poeta bêbado e duas canções. porque não se pode viver pobre e livre. não permitem. insisto, tatuo e sou, pobre e livre.