meu reino musical não cabe no mundo. mas eu também não caibo no mundo. é complicado tentar explicar uma lógica que é puramente emoção. como entender o que sinto quando ouço canções tão antagônicas entre si que não parece fazer sentido que agrade aos ouvidos da mesma pessoa? meu alter-ego é uma negra pálida lésbica de cabelos enormes alcóolatra fumante e com tendência ao suicídio. odeio perfeição, mas preciso, ou melhor, necessito radicalmente fazer sentido pra mim. um sentido meu que só eu entendo e isso me basta. já me perguntei sem entender muito bem até então porque trancar os comentários de um blog. a resposta é simples. não quero palavra nenhuma, opinião nenhuma de quem acha que me conhece, acha que me entende, acha que me interpreta. não quero opinião sobre algo que só eu conheço e, ao publicar, entendo que parece que estou dando esta liberdade. mas, meu, ninguém precisa gostar de mim. honestamente prefiro que não gostem. me sinto melhor no campo das não-expectativas que poderiam ser frustrantes caso existissem. mas não me venha com suas verdades. elas simplesmente não me importam. estou cansada destes cigarros imaginários que eu não fumo, desta pele negra que eu não tenho, desta palidez que não existe, desta lésbica que adormece, desta suicida que ainda vive. mas é o meu alento, sabe? é o mundo que eu encontro pra poder enfrentar a vida. tudo é um saco, mas eu ainda sonho com um mundo diferente onde as pessoas possam v.i.v.e.r plena-mente. sonho com um dia em que falar sobre mim, revelar os mais assombrosos segredos, não desperte intenções e apontamentos tão idiotas e superficiais de desconhecidos que não fazem a menor ideia de quem sou. e o que me assusta. mesmo. é que acredito que todo mundo tem seus demônios. mas algumas pessoas fingem (inclusive pra si mesmas) que não. que tátudobemagora. se olhassem mais pra dentro, perceberiam que a beleza está no não-literal. e antes de torcer o nariz pra alguém que bate no peito e sente orgulho de se encontrar entre os filhosdaputa, os desajustados, os marginalizados, as putas, os andarilhos. antes de torcer o nariz pra estas pessoas (pra mim, no caso), acho que deveriam se perguntar por que ao invés de achar que alguém faz isso pra ser "cool", não se orgulham de perseguir a tão aclamada perfeição. sério. por que vocês não batem no peito pra dizer que são só saúde, que malham, que fazem dieta, que não bebem, que não fumam, que não tomam rivotril, que são só sorrisos, só felicidade, só sol brilhando, só vida, só família, casamento, igreja, filhos e essa putaria (perdão pela ironia irresistível) toda? por que ao invés de achar que alguém falsifica o que diz ser, vocês não se perguntam se a vida que vocês acham que gostam de viver não é uma mentira? é só que acho muito estranho um mundo em que as pessoas achem que não ser senso-comum seja o mesmo que ser fake. só dizendo.