porque eu me emociono com o medo que você sente e o cuidado com que diz, pacientemente e me olhando no fundo dos olhos, que não é bem como eu penso que as coisas são. e me olha nos olhos por todo o tempo da infinidade. e mergulha nos meus segredos. me assusta. e depois de revirar tudo que encontra, todas as bagunças inacabadas e que você sabe, nunca irão partir; você sorri. aquele seu sorriso lindo de canto de boca que desenha aquela curvinha irresistível e impenetrável na sua pele distorcida. e eu me distraio te vendo despedaçar tão fortemente ao meu lado. e você segura as minhas mãos e me olha com este olhar negro brilhoso e diz sem dizer: "calma, sou eu. só gosto de visitar tuas imperfeições fascinantes, ir embora e ficar só com o sabor do que vi nos mistérios dos meus pensamentos solitários pra matar a saudade quando durmo longe de você." e eu entendo cada vírgula do que você não diz com a voz, entendo cada movimento discreto da sua beleza hipnotizante. me assusta, confesso. procuro sua pele quente, suas mãos intuitivas, o doce-amargo excitante dos seus lábios tão lindos. e eu me perco.
me perco em você. me perco nestas linhas. me perco na sua busca. no seu cheiro. na incontrolável vontade de viver neste universo pra sempre.
gosto de ficar contornando a tatuagem nas suas costas com os dedos enquanto você lê aqueles livros guardados e empoeirados esperando atenção. gosto de te ouvir tocando violão desajeitado, com todo sentimento. gosto quando você acaba com o chocolate e confessa com uma timidez - que tu não tem - que não resistiu. gosto quando você diz que vai arrumar o quarto e o que vejo é a empolgação por ter encontrado uma revista antiga que te obrigou a descer todas as tralhas de cima do guarda-roupas. gosto quando você me interrompe com um beijo, uma frasezinha sacana ou um palavrão. e me deixa desajeitada, encabulada, escondendo o rosto no seu peito. gosto quando você faz aquele arroz com manteiga e peixe assado com batatas. gosto dos vinhos baratos que você escolhe. gosto daquela frase que você escreveu do lado da sua cama quando estávamos em silêncio, depois de uma puta dr.
gosto do jeito que você me chama quando não estou perto. e vela meu sono quando adormeço no meio de um assunto. e pega no sono quando vou buscar bebida na cozinha. gosto do jeito que você toca a minha nuca. como me olha depois que visto sua camisa no meio da noite. gosto dos seus detalhes, mais que do seu inteiro. acho que todo mundo sabe do todo sem a essência pra perceber a grandeza de cada linha.
gosto dos seus olhares pensativos. gosto de quando tenta me acalmar quando estou desesperada, louca, bêbada, falando coisas que nem sei se fazem sentido pra você. gosto da sua carinha quando sente que alguma coisa pode ter me magoado. gosto das suas bandas que não suporto ouvir. gosto de como você se chamou na agenda do meu celular. gosto do seu minimalismo. gosto dos apelidos que me colocou. seu esforço de ser parte do meu cobertor quando faz frio e se levantar no meio da noite só pra me colocar uma meia. a maneira peculiar com que elogia cada prato meu.
gosto tanto de você! logo eu, assim, tão cética. logo eu, assim, tão apaixonada por você. a imensidão de coisas que responde sua pergunta. é por tudo isso que eu te odeio, meu amor.