quinta-feira, 24 de novembro de 2011

.medida por gramas

no meu suor, no meu suspiro, ouço essas ondas dos seus sussurros que a distância vai esfumaçando acima do mar. sinto que você se transforma em qualquer coisa assim da natureza e vai se tornando meu próprio ar, meu calor, meu desejo de comer chocolate, minha dor de cabeça, meu sono, minha agonia de não poder tocar; embora sinta o tempo todo. na dureza das pedras, na leveza do balanço das folhas das árvores na estrada. você vai se formando nessa terceira pessoa integrada entre nós se fazendo doentiamente presente nas minhas pálpebras, na lubrificação do meu piscar de olhos, no peso do meu corpo. no inferno, absoluto e mais real em mim. e eu quero abraçar toda essa força estonteante e inconcreta como poesia marcada a tatuagem no meu coração e repetir a cada instante essa sensação reconfortante no meu peito. essa abdução do vazio que pairava em mim e já nem me lembro mais. é sempre você, sabe? em tudo, persistentemente, acalentando e atormentando assim.